Obituário: Duque de Caxias



Faleceu ontem às 8h30 da noite, na fazenda de Santa Mônica, no Desengano, o Duque de Caxias (Luiz Alves de Lima e Silva), marechal efetivo do exército,ajudante de campo de Sua Majestade o Imperador, conselheiro de Estado e de guerra, e senador pela província do Rio Grande do Sul.

Nasceu em 25 de agosto de 1803. Foi reconhecido cadete aos 5 anos de idade, cursando com brilho a Real Academia Militar. 

Em 1823, sendo tenente,  foi fazer a campanha da Bahia. Dessa data em diante a sua espada esteve sempre ao serviço da nação, que defendeu com entranhado amor e extraordinária bravura.

Os seus últimos serviços militares foram prestados na guerra do Paraguai, onde até a sua retirada, com sacrifício da sua já comprometida saúde, deixou o seu nome ligado a todos os combates que tanta glória deram ao Brasil.

A vida do grande cidadão que acaba de falecer é, como diz um de seus biógrafos, uma página brilhante da nossa história.

Mais como militar do que em outro caráter, deve  ele ser considerado.

Entretanto o Duque de Caxias teve papel saliente na polícia do império.

Repetidas vezes foi ministro de Estado e presidente do conselho.

Respeitado e considerado pelos próprios adversários, a quem a paixão política não desvairava, exerceu sempre uma grande influência no partido conservador, do qual era uma das primeiras glórias.

A biografia do eminente cidadão não cabe nos estreitos limites desta notícia, escrita sobre dolorosa impressão do momento.

Mais do que podíamos dizer, di-lo-á o país no profundo sentimento de pesar com que há de receber a fatal nova.

Ao passo que o chão da pátria recebe um cadáver, a história arquiva para não mais riscá-lo um nome ilustre que se desdobra glorioso sobre dois reinados, através de batalhas temerosas e pacificações humanitárias.  

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Pelos relevantes serviços prestados ao país o finado teve as seguintes condecorações: Grã-Cruz das Ordens: Imperial do Cruzeiro, efetivo da Rosa, de Pedro I e de S. Bento de Aviz; com a medalha oval da Independência (da Bahia), com o passador de ouro; com a medalha commemorativa do rendimento da divisão do exército do Paraguai, que acampava na vila de Uruguaiana; com a medalha do exército no Estado Oriental do Uruguai, em 1832; com a medalha de mérito “a bravura militar”; com a medalha concedida ao exército, a armada e aos empregados civis em operações na guerra do Paraguai, com passador de ouro; com a grã-cruz da Ordem de N. S. da Conceição de Villa Viçosa; primeiro barão, primeiro conde e primeiro marquês de Caxias.

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Às 9 horas da manhã partirá um trem especial da estação central da estrada de ferro de Pedro II, com destino à estação do Desengano, a fim de conduzir o cadáver para a rua do Conde de Bonfim, nº 18, no Andarahy.

O saimento se realizará às  horas da tarde, dali para o cemitério de S. Francisco de Paula.

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 O testamento foi feito no dia em que o ilustre finado completou 70 anos de idade, sendo entregue ao Exm. Sr. visconde de Tocantins.



Gazeta de Notícias - Sábado, 8 de maio de 1880.

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